Entrega

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Bem, falar de tudo que vivenciei na Multiversidade é um desafio, rs.

Há muito tempo procurando um lugar que de fato acolhesse a riqueza de expressões e saberes que toda essa vida maravilhosa e vasta nos mostra cada dia, cheguei até essa escola. Aprendi não só a ver, mas viver cada dia. À conviver com toda imensidão que cada singelo gesto, palavra, movimenta produz e nos conduz. Quantas noites e dias me perguntando se era isso mesmo ou se estava entrando na piração inconstante dos meus mundos.

Em tão pouco tempo de vida, me vi vivendo tantas experiências diferentes, profundas, transformadoras, dolorosas, sem muitas ferramentas pra saber lidar, mas o único jeito era seguir. E nesse seguir, mais coisa nova, mais gente, que ia despertando minha curiosidade e com elas um chamado muito grande (in)compatível com as minhas vergonhas, medos, inseguranças.

jessica_alvesA convivência nesse espaço-escola da vida que é a Multiversidade não foi diferente, mas o que foi transcendido do meu mundo até agora experimentado, foi a fé tão descomprometida de qualquer acontecimento e entendimento místico, mágico, extraordinário que costumava a depositar nos lugares onde pousava. O amor me nutria de uma forma tão-somente sua, no conviver com quem ia aparecendo, que me liberava cada vez mais pros ensinamentos novos que elas me despertavam e me deixando mais solta pra florir pro mundo…

Na Multiversidade posso dizer que entreguei todo o meu amor com todas as facetas que esse sentimento tão inexplicável e soberano tem. Soltei, descarreguei, liberei muito os fogos internos, que saíam me rasgando toda e queimando quem tivesse na beirada. Partes desse mesmo amor que nutre e brilha, mas que na ventania gera confusão e dificuldade de governo.

Cuidar disso demandou muita confiança e auxílio, o qual eu tive. Comecei a estudar Acupuntura Integral e, como geógrafa, viver toda a experiência da universidade no corpo foi como um sonho. Comecei a me interessar por saúde e educação no início da graduação, mas via que lá dentro estavam ainda muito desconexas . Então passei parte do tempo da faculdade fora dela. Quando voltava, brigava muito. Era difícil entender como que aquelas pessoas, estudiosas de tanto tempo e que se diziam professores de geografia, uma ciência tão preciosa, que estava me proporcionando tantas vivências incríveis e reveladoras fora dali, não conseguiam enxergar a importância de viver a geografia, estar com as pessoas que sempre souberam geografia sem precisar estudar. Não dando incentivos aos trabalhos que fazia com o grupo da faculdade, o qual desempenhávamos com tanto labor e esforço junto à cultura de lugares e pessoas tão simples, belas e humildes. Isso me revoltava.

integralFoi quando de uma dessas idas e vindas de aventuras e aprendizados longe, ao meu ver na época, das prisões das relações gélidas e distanciadas da vida, caí no chão. A falsa pisada de um passo apressado que remove o que for preciso pra chegar logo, disse agora não, não dá mais pra pisar falso. Ou é firme e leve, ou machuca mais, e mais, e mais. Daí eu cheguei na Multiversidade. Fui recebida com a tranquilidade imponente que me fazia ansiar, com avidez e pressa pra encontrar. De cara participei de uma constelação familiar sem a menor pretensão, pois fui lá realmente pra tratar meu pé machucado, mas acabei logo despejando meus quereres e necessidades de coisas para serem resolvidas. E então fui encaminhada. Aquele dia foi como dar descarga num pacote pesadérrimo que carregava, justamente por achar que era a salvação do planeta, e claro, isso começava pelos meus pais, eu tinha que salvar os meus pais com toda minha sabedoria dos caminhos da juventude de hoje.

Ali, a verdade do coração, que pulsava há tanto tempo pra se ter espaço, parecia que tinha começado à dar seus lapsos de vida. Foi um espanto tão grande, me gerou muitos questionamentos, dúvidas e mais curiosidade. De lá pra cá, me comprometi em prosseguir o tratamento já que tudo isso tinha me gerado. Numa trilha escura, deserta, que apesar de ter pessoas ao redor, continuava a ser solitária por viver tantas modificações no instante dos acontecimentos, não conseguia ver outra direção, a não ser a que eu já estava.jessica_alves_b

Com o tempo, as aulas do curso foram me ajudando muito, junto com os amparadores da escola, e fui ficando cada vez mais entregue e confiante, mesmo com todas as dificuldades de quem está num autotrabalhamento que é auto, alto, alt – seu abismo e de mais ninguém. Pra compreender isso demanda tempo, que só o prosseguimento desse auto-trabalhamento pode trazer as certezas necessárias para que ele se fortaleça e continue, e continue, e continue, sempre, interminável.

Fiz o Curso de Prática de Vida Integral, o qual me auxiliou muito também, com sua proposta tão ampla, que incorpora muita e qualquer coisa de qualquer atmosfera da vida. A troca com o grupo de trabalho me ajudou à me soltar, desprender de tudo que repudiava de fora que estava em mim mesma. As homeopatias, invés de descartar essas experiências de liberação porque agora via que elas não eram de todas as partes do meu ser, me fizeram viver intensa e amorosamente a experiência da dor e da angústia. Essas composições sagradas não escondem o que é nosso, elas nos fazem ver, aceitar e acolher-  recolher pra cuidar.

Nesse caminho de acolhimento, aprender a pedir perdão é o mais elevado e profundo esculpir  dessa arte, de integração do não e do sim, do feio e do belo, do que eu gosto e do que não gosto, do admissível e do inadmissível. Perdir perdão, como criança de joelhos, um a um dos sofredores que existem em você, abrindo seus há-braços e dando amor. Eles se dissolvem, revolvem e envolvem de volta com todos os outros seus países que estavam perdidos dentro do seu gigante-mundo. O Mário falava sobre o pedacinho de terra que somos cada um de nós e que temos de cuidar. Isso me marcou tanto porque saía brigando, correndo, desviando, fechando o olho, que me levava à uma terra nova, diferente, que também me encantava e também me fazia muito aprender. Mas amar o seu próprio barro, a grama, o burro, o rio, tudo que se contém e é, te leva além, te faz querer ser companhia dos macacos a brincar e viver nas árvores da tua terra.

Per-doar. Está ao lado da entrega. Você sai do lugar de dono da doação, sendo somente responsável por colocá-la no seu lugar. É só isso.

Que nossos caminhos como alunos, professores, terapeutas, pais, mães, padeiros, cozinheiros, lavandeiros, lixeiros, trocadores, motoristas, lenhadores, arrumadores, faxineiros, cuidadores e seres de todos os tempos possam experimentar nessa vida abençoada viver a realidade da gratidão e do amor. Isso é a cura.

À Multiversidade infinita que existe nesta respeitosa e sagrada Unidade. Eu agradeço.

Jéssica Alves é terapeuta acupunturista integral formada na multiversidade integral.

By |2017-05-16T21:44:28+00:00fevereiro 9th, 2015|artigos|0 Comments